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MARCHADOR – BRASIL QUATORZE MIL

Em 25 de maio de 1991, com o objetivo de divulgar a raça, os cavaleiros Pedro Luís Dias de Aguiar, Jorge Dias de Aguiar e José Reis partiram da séde da Sociedade Paulista dos Criadores do Mangalarga Marchador, em São Paulo, para uma maratona de 14.000km à cavalo, seguindo um roteiro que foi até o Chuí, no Rio Grande do Sul, cruzando depois todo o território brasileiro, chegando ao Oiapoque, no Amapá, retornando depois para a capital paulista pelo litoral nordestino.

A tropa era composta por seis garanhões, sendo eles: Pensamento de Santa Lúcia, El Cid de Dourado SM, Pega Boi da JS, Itaparica Gibraltar, Itajubá do Pau D”Alho e Dragão de Samf, (que mais tarde foi substituído por Extrato de Inhaúma). Os burros eram Gavião, Calçado e Canário, (este também substituído por Pavão), que viajou com a comitiva por um determinado período.

Os cavalos nadaram sem titubear em rios de até 250m de largura; enfrentaram quase 20 dias de chuva seguidos em Minas Gerais e a seca inclemente do Nordeste, além de 6 graus negativos no Rio Grande do Sul; transpuseram ilesos regiões onde grassa a anemia infecciosa equina, (em algumas cidades do Amapá 90% dos cavalos estão contaminados), e foram valentes no asfalto ao lado de perigosos caminhões. Cavalos campeões, criados em baias com alimentação e luxos com os quais a maioria dos brasileiros nem sonha, aos poucos foram se acostumando ao ritmo da viagem. Antes, porém, fizeram a título de “treinamento” uma cavalgada de 600km. O resto eles aprenderam na dura vida que tiveram nesses dois anos. Não subiam em morros, morriam de medo de gado, até de galinha. Desviavam, apavorados, de moitas, e talvez nem desconfiassem que sabiam nadar. E, depois de tantos bichos que atravessaram o caminho – pacas, antas, capivaras, aves, cobras e até onças - as galinhas que os apavoravam no início passaram a não representar a menor ameaça.

Ao final de pouco mais de 2 anos, 19.000 km percorridos por 20 Estados, o Distrito Federal e 372 municípios, chegaram novamente a São Paulo, no dia 10 de julho de 1993, durante a Exposição do Mangalarga Marchador, no Parque da Água Branca, onde foram recepcionados com uma grande festa.

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